Os Riscos de Ser Agricultor no Brasil e como Investir na Internacionalização do Patrimônio
No campo, não há distinção entre dias úteis e fins de semana. Nos períodos mais intensos de plantio e colheita, o compromisso é total: faz-se o que precisa ser feito, no momento certo.
A resiliência é exigida diariamente diante das incertezas climáticas — ou chove demais, ou falta chuva —, além do surgimento de pragas, das oscilações cambiais, das variações de preço impostas pelo mercado e de aumentos repentinos (muitas vezes elevados) no custo de insumos, como ocorreu recentemente com os fertilizantes.
Soma-se a isso a instabilidade da política econômica, que amplia ainda mais os riscos da atividade. Ainda assim, os produtores seguem firmes, movidos por propósito e persistência, mesmo em um ambiente repleto de incertezas.
Mesmo diante de inúmeros desafios, o agronegócio brasileiro segue se superando. A combinação entre tecnologia de ponta e a dedicação, resiliência e persistência dos produtores rurais é a verdadeira chave desse sucesso.
Em 2025, o setor bateu novo recorde de exportações, alcançando US$ 169 bilhões e superávit de US$ 149,07 bilhões, reforçando seu papel estratégico na economia nacional. Diante desse contexto, é inevitável reconhecer que, embora apresente resultados expressivos, o agronegócio concentra riscos significativos.
Uma das formas mais eficazes de mitigá-los é a diversificação patrimonial em diferentes jurisdições, com a alocação de parte dos ativos em países que ofereçam solidez política e econômica.
Internacionalizar ao menos uma parcela do patrimônio reduz a exposição ao “risco Brasil”, distribuindo ativos entre diferentes países, atividades e jurisdições. A internacionalização patrimonial é, acima de tudo, uma estratégia de gestão de riscos, pois proporciona maior estabilidade, proteção e previsibilidade.
No agronegócio, que movimenta cifras elevadas e exige crédito recorrente, a internacionalização pode ampliar o acesso do produtor rural à captação de recursos em condições mais competitivas de juros e prazos, fortalecendo sua capacidade de investimento.
Uma alternativa, por exemplo, é manter parte dos investimentos em instituições no exterior (como bancos suíços), o que pode permitir o acesso a empréstimos colateralizados (com garantia) a taxas atrativas.
Inclusive, toda essa estratégia pode ser executada por meio de estruturas internacionais de planejamento patrimonial, como offshores, holdings internacionais, fundações privadas e trusts. Por meio delas, é possível organizar o patrimônio em jurisdições que combinam benefícios fiscais, moeda forte, segurança jurídica, estabilidade e mecanismos sucessórios mais eficientes e mais flexíveis, além de viabilizar acesso a crédito internacional com custos e taxas de juros potencialmente mais atrativos.
Na prática, em determinados cenários, bancos suíços — favorecidos por inflação baixa e pela elevada estabilidade econômica do país — podem oferecer taxas anuais de um dígito, a depender do perfil do cliente, moeda, prazo e garantias.
Para o produtor rural, isso pode significar diversificação internacional, redução de riscos e novas oportunidades de investimento (insumos, maquinário, áreas agrícolas, imóveis e bens móveis), com menor custo financeiro.
Diversificar é essencial no agro, que já convive com riscos climáticos, de mercado e operacionais. Nesse contexto, a internacionalização patrimonial pode agregar proteção e estabilidade, preservando o foco no que importa: segurança e continuidade do legado.
Sobre a autora:
Ester Cella é advogada e filha de produtores rurais de Sorriso, Mato Grosso – Brasil, atua na área de Proteção e Planejamento Patrimonial no Brasil, em parceria com Alexandre Arregui, advogado brasileiro baseado em Genebra, na Suíça